
O LIVRO EM PESSOA
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LER para SER
BEM VINDOS

SESSÃO 1
LEITURA 1

ÓCIO
W. H. Davies
Que vida é esta se, cheios de cuidados,
não temos tempo para olhar, parados?
Nem tempo para ver, ao passar pelos bosques,
onde escondem os esquilos as nozes na relva
Nem tempo para ver, à luz do sol diurno,
rios cheios de estrelas, como o céu noturno
Nem tempo para encontrar da Beleza o olhar
e ver os seus pés, como sabem dançar
Nem tempo para esperar que a boca enriqueça
o sorriso que nos olhos começa?
Que vida pobre é este se, cheios de cuidados,
não temos tempo para olhar, parados

- SILÊNCIO -
Escuta Interior
REFLEXÃO
1 - O que sentiste ao ler o poema pela primeira vez?
2 - Há alguma imagem ou verso que te chamou mais a atenção? Porquê?
3 - Consegues relacionar o poema com algum momento da tua vida em que sentiste sobrecarregado ou sem tempo para ti?
4 - O poema fala sobre "não ter tempo para parar e olhar". Sentes que isto acontece contigo?
5 - Que atividades do teu dia a dia te fazem sentir que estás sempre "a correr"?
6 - Achas que a escola, as redes sociais ou as expetativas dos outros contribuem para essa sensação?
7 - O poema valoriza observar coisas simples da natureza. Que pequenas coisas do teu dia passam despercebidas, mas talvez merecessem mais atenção?
8 - Se tivesses 10 minutos por dia só para "parar e olhar", o que gostarias de observar?
9 - Como achas que o teu corpo e a tua mente reagiriam se tivesses mais momentos de pausa?
10 - O poema sugere que a falta de tempo nos afasta de nós próprios. Concordas?
11 - Quando estás muito ocupado, o que é a primeira coisa que deixas de fazer?
12 - Que sinais o teu corpo ou mente te dão quando precisas de descanso?
LEITURA 2

OS MISERÁVEIS
Victor Hugo
Cosette varria o chão com uma vassoura grande demais para as suas mãos pequenas.
As outras crianças riam.
Não porque ela tivesse feito algo errado, mas porque era fraca, porque estava só.
Cada gargalhada pesava mais do que o balde que carregava.
Cosette não chorava. Não chorava porque aprendera que ninguém vinha quando chorava.


- SILÊNCIO -
Escuta Interior
REFLEXÃO
1 - Que emoções te despertou este excerto?
2 - Houve alguma frase que te tocou mais? Porquê?
3 - O que imaginas que Cosette estava a sentir naquele momento?
4 - As outras crianças riam dela. Já viste ou viveste situações parecidas?
5 - O que achas que leva um grupo a rir de alguém que está vulnerável?
6 - Se estivesses ali, o que gostarias que alguém tivesse feito?
7 - Cosette não chorava porque "aprendera que ninguém vinha quando chorava". O que esta frase te faz pensar?
8 - Achas que às vezes as pessoas deixam de pedir ajuda porque sentem que ninguém as ouve?
9 - Que sinais podem mostrar que alguém precisa de apoio, mesmo quando não o pede?
10 - O excerto fala de fraqueza, mas também de resistência. Onde vês força na atitude de Cosette?
11 - Achas que ser vulnerável é o mesmo que ser fraco?
12 - O que poderia ter mudado a experiência de Cosette naquele momento?
13 - Que tipo de apoio teria feito diferença para ela?

CAPÍTULO 6
Excerto
- Dizem que eu sou estranho.
- Poderia ser pior.
- Poderia?
- Poderiam dizer que não eras.
O Zé Pedro está triste com a escola. Está a ser perseguido por ser como é. Já vi que muitas vezes somos perseguidos por sermos como somos, parece que todos querem que todos sejam iguais. Acho que é estranho não sermos estranhos entre nós, é estranho quando não há diferenças entre o que vemos no que ouvimos, no que nos acontece. Eu por exemplo vejo no céu um bom começo para algo maior, penso no que pode estar depois dele, no que esconderá aquele azul todo. A minha mãe, pelo contrário, diz que o céu é o limite.
(...)
- Atiraram-me ao chão. Puseram-me a rastejar.
- A mim também. Foi muito bom.
LEITURA DO TEXTO INTEGRAL A PARTIR DO LIVRO
LEITURA 3

PÁTRIA
Sophia de Mello Breyner Andresen
Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro
Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exactidão
Dum longo relatório irrecusável
E pelos rostos iguais ao sol e ao vento
E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas
— Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro
Me dói a lua me soluça o mar
E o exílio se inscreve em pleno tempo
Fernando Pessoa
Esta é a pátria onde nasci.
Mas não é a pátria que procuro
Procuro a pátria onde ninguém é estrangeiro.


- SILÊNCIO -
Escuta Interior
REFLEXÃO
1 - O que é sentir-se estrangeiro?
2 - Pode haver mais do que uma pátria?
3 - Qual das três frases te tocou mais? Porquê?
4 - O poema distingue entre "a pátria onde nasci" e " a pátria que procuro". Consegues identificar essa diferença na tua própria vida?
5 - Há lugares onde te sentes mais tu mesmo? O que esses lugares têm de especial?
6 - Já te sentiste estrangeiro num sítio onde, teoricamente, deverias sentir-te em casa?
7 - O que significa, para ti, viver num lugar "onde ninguém é estrangeiro"?
8 - Que atitudes fazem alguém sentir-se incluído?
9 - E que atitudes fazem alguém sentir-se de fora, mesmo sem intenção?
10 - Achas que a "pátria que procuramos" pode ser também um estado interior, e não apenas um lugar físico?
11 - Que valores seriam essenciais numa pátria onde te sentisses plenamente acolhido?
12 - Como imaginas uma comunidade onde ninguém é estrangeiro?
13 - Achas que a escola pode aproximar-se dessa ideia? O que teria de mudar?
14 - Que papel cada pessoa pode ter na construção de um espaço mais acolhedor?

LEITURA 4

LAR
Warsan Shire
(poetisa somali-britânica)
Excerto
Ninguém deixa a sua casa a menos que a casa seja a boca de um tubarão.
Só corres para a fronteira quando vês toda a cidade a correr também.
(...)
Tens de entender que ninguém coloca os filhos num barco a menos que a água seja mais segura que a terra.
(...)
(Poema completo em suporte papel)
OBSERVAÇÃO
Ninguém escolhe a incerteza se o chão onde nasceu fosse um abraço. Mas o lar agora é o que carregas na voz É a forma como dizes "bom dia" na língua nova, sem esquecer o som das cantigas que a tua avó cantava. O lar não é um lugar, é um caminho que estás a construir.

- SILÊNCIO -
Escuta Interior
REFLEXÃO
1 - Sentem que têm de ser uma pessoa diferente em casa (na vossa língua/cultura) e outra na escola?
2 - Há alguma imagem ou frase que te ficou na cabeça? Porquê?
3 - Que razões podem levar alguém a abandonar o seu país, mesmo quando não quer?
4 - Achas que é possível sentir-se "em casa" num lugar novo? O que ajuda a criar esse sentimento?
5 - Achas que mudar de país muda quem somos? De que forma?
6 - Que partes da tua identidade achas que levarias contigo para qualquer lugar?
7 - Como achas que uma pessoa da tua idade se sentiria ao chegar a um país novo?
8 - O que pode ajudar alguém recém-chegado a sentir-se mais acolhido?
LEITURA 5

MEDO DA ETERNIDADE
Clarice Lispector
Excerto
Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contacto com a eternidade.
Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar.
Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:
(...)
(Texto completo em suporte papel)
A eternidade segundo os irmãos Grimm
"É como uma montanha de ferro que um passarinho vem bicar uma vez a cada mil anos. Quando a montanha estiver gasta, terá passado o primeiro segundo da eternidade."
OBSERVAÇÕES
Eternidade apavora. Como é que se vai aguentar tanto tempo sem que as coisas mudem? Queremos que o dia acabe para vir o amanhã, queremos crescer depressa, queremos o próximo chocolate. A ideia de que algo possa ser "para sempre" parece uma prisão.
Há momentos que, de tão intensos, parecem eternos enquanto duram. Quando estamos à espera de uma mensagem que não chega, ou quando olhamos para alguém e o tempo pára. A eternidade não é apenas o tempo que não acaba; é a intensidade que nos faz esquecer que o tempo existe.

- SILÊNCIO -
Escuta Interior
REFLEXÃO
1 - O que é que vos parece eterno?
a aula de 2ª feira
a espera por um like
a incerteza sobre o que fazer depois do 12º ano
2 - Exercício:
O meu momento de eternidade
Identifiquem um momento onde o tempo parou para vocês
um concerto
um mergulho no mar
uma conversa entre amigos
Escreve numa folha esse momento mas começando com a frase:
"O meu passarinho bicou a montanha quando eu..."
3 - Será a literatura o lugar onde podemos "parar o tempo" para melhor o entender?

LEITURA 6

Leitura da crónica "De fonte segura" do livro de Irene Vallejo "Alguém Falou Sobre Nós", (pág. 94). Leitura diretamente do livro.

- SILÊNCIO -
Escuta Interior
REFLEXÃO
1 - Alguma vez um livro te ajudou a perceber melhor algo que estavas a viver?
2 - Sentes que a leitura te ajuda a pensar com mais calma? Funciona como pausa, refúgio, evasão?
3 - Que tipo de leitor achas que és neste momento da tua vida? Curioso; Distraído; Seletivo; Emocional.
4 - A leitura é também uma forma de nos ligarmos aos outros, com amigos, com personagens, com o mundo. Concordas?

"A MAGIA DA CHINA"
OS OITO IMORTAIS
LENDAS E CONTOS DE FADAS

OS OITO IMORTAIS
Excerto
Era uma vez um homem pobre que acabou por ficar sem tecto para se abrigar e sem comida para se alimentar. Cansado e desanimado, deitou-se junto a um pequeno templo dedicado ao Deus do Campo, que ficava à beira da estrada, e adormeceu. Sonhou que o Deus do Campo, um velho de barba branca, saía do seu pequeno templo e lhe dizia: «Eu sei como te posso ajudar. Amanhã, os Oito Imortais passarão por esta estrada. Ajoelha-te diante deles e suplica-lhes.»
Quando acordou...
(Leitura integral feita no livro)
REFLEXÃO (Trabalho Voluntário)
Os alunos serão convidados a elaborar as questões que acharem apropriadas para reflexão.

"MOMENTO FINAL"
INVICTUS
William Ernest Henley

INVICTUS
Excerto
Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.
INVICTUS é um poema escrito por William Ernest Henley, poeta inglês do século XIX. Publicado pela primeira vez em 1875, o poema é um hino à resiliência e à força interior do indivíduo diante das adversidades da vida. Com a famosa frase "Eu sou o mestre do meu destino, eu sou o capitão da minha alma", Henley inspira o leitor a enfrentar os desafios com coragem e determinação, sem se deixar abater pelas dificuldades. INVICTUS tornou-se um dos poemas mais conhecidos e citados da literatura inglesa, continuando a ressoar com leitores de todas as épocas e culturas.
A INSPIRAÇÃO DE NELSON MANDELA
O CAMINHO PARA A LIBERDADE E IGUALDADE
A inspiração de Nelson Mandela para alcançar a liberdade e igualdade foi um verdadeiro exemplo de perseverança e determinação. Mesmo enfrentando inúmeras adversidades, ele nunca desistiu de lutar pelos direitos do povo sul-africano. Sua jornada rumo à liberdade foi marcada pela coragem e pela vontade inabalável de alcançar a igualdade para todos.




