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O LIVRO EM PESSOA

VEM LER-TE

Poesia Haiku

HAIKU NÃO É PROFUNDIDADE É LEVEZA


SESSÃO PARA ALUNOS DE 11º ANO - BIBLIOTECA ESCOLAR - 2026


POESIA HAIKU DO PROFESSOR CARLOS

07-02-2026

Um vagabundo

alguém chama por mim, quem?

respirei fundo


Inverno chora

um cão vadio sem chão

ladrou agora


Sorriso se lê

eu dou o melhor que sou

sonhos porquê?


Chá camomila

rua deserta, lua

no céu cintila


Enfim janeiro

a foto ali tão só

amor inteiro


05-02-2026

Amadurecer

o livro dentro de ti

que sempre quiz ler


Bibliosense

folha, pele em bolha

sofrer convence?


Canto trágico

em vão bate coração 

acrobático




05-02-2026

Ninguém me sonhou

o livro em pessoa

nem acreditou


Desejo a paz

nesse longo caminho

o céu se desfaz


Leio-me a ler

o som só será hino

se o mal perder




Rãs no alcatrão

contei cinco, dez, nem sei

passou camião


Dei início a esta sessão com a apresentação de alguns poemas haiku que escrevi recentemente, para tentar que possa constituir estímulo à participação de todos no restante da sessão. Agradeço desde já a vossa colaboração às solicitações que irão surgir no decorrer do nosso encontro para falar de poesia haiku. Obrigado.

JAPÃO

Poesia breve

17 unidades sonoras "on"                                                    

curtas e sem hierarquia de acentos

distribuídas em 5-7-5 "on"

OCIDENTE

Poesia breve

17 unidades sonoras "sílaba"

longas ou curtas, tónicas ou átonas

distribuídas em 5-7-5 "sílaba"

ORIGEM

(séc. VIII-XVI)

A poesia Haiku nasceu a partir da estrofe inicial dos poemas colaborativos RENGA ou HAIKAI no RENGA que tinham a estrutura 5 - 7 - 5 - 7 - 7 "on"

                                                                         hokku

Renga - Atividade cultural entre a elite japonesa
Haikai no Renga - Variante mais leve, mais descontraída, mais popular




CRIAR UM POEMA COLABORATIVO NO ESQUEMA 5-7-5-7-7 (aproximadamente)


LEITURA DO POEMA

JAPÃO

MATSUO BASHÔ  (séc. XVII)

Eleva a estrofe HOKKU da poesia Haikai no Renga a poema independente mantendo a estrutura 5-7-5 "on"

RELEMBRANDO - 5-7-5 "on"  =\= 5-7-5 "sílaba"

MASAOKA SHIKI  (séc. XIX)

Atribuiu a esta forma de poesia o nome HAIKU

HAI -Jocoso, leve, não solene

KU - Verso, frase poética



CRIAR INDIVIDUALMENTE UM HAIKU NO ESQUEMA 5-7-5 "sílabas" (aproximadamente)


PARTILHA VOLUNTÁRIA

O RITMO DO HAIKU

JAPÃO

Há quem diga que a poesia Haiku foi transposta para o Ocidente de forma errada, sobretudo por causa da diferença "on" e "sílaba" e o que essa diferença causa no ritmo próprio do poema. Os "on", não possuindo hierarquia de acentos, permite obter aquilo que se designa por RITMO HORIZONTAL.

O RITMO DO HAIKU JAPONÊS

regular

sem crescendo

sem clímax

sem ênfase final

É um ritmo:

próximo da caminhada

da respiração tranquila

do passo igual



OCIDENTE

No Ocidente, nomeadamente, em Portugal, as "sílabas" da nossa língua sendo longas ou curtas e tónicas ou átonas, influenciam o ritmo tornando-o mais ONDULANTE (ou mais melódico), em função do poder persuasivo da sílaba tónica que sempre reclama o seu lugar na parte forte ou inicial do tempo rítmico.

O RITMO DO HAIKU OCIDENTAL

o verso tende a:

cair numa cadência lírica

soar a canção

pedir rima

Mas o haiku não pede isso

Daí que, muitos haiku ocidentais possam soar a:

quadras

aforismos 


O HAIKU NÃO É APENAS UMA CONTAGEM DE SÍLABAS. É UM ESPAÇO DE ATENÇÃO E DE PAUSA QUE A LÍNGUA JAPONESA FACILITA E A LÍNGUA PORTUGUESA PRECISA DE SABER REINVENTAR 


 



ALGUNS EXERCÍCIOS SONOROS

(Só por brincadeira), uma vez que, esta questão não pode, nem deve, ser demasiado valorizada, sob pena de termos que admitir que não é possível escrever poesia haiku em português ou em qualquer outra língua além da japonesa.

Exemplos:

VAca COme ERva

a VAca COme a ERva


Exercício com o esquema 5-7-5


O MAIS IMPORTANTE

A poesia Haiku tradicional japonesa tem dois elementos essenciais:

KIGO - Palavra de referência sazonal (estação do ano)

KIREJI - Palavra de corte

No ocidente podem ser tratadas como: 

CENÁRIO e ACONTECIMENTO

KIREJI

O Kireji pode entender-se como um gesto poético que interrompe o fluxo do poema, (no japão é obtido através de uma palavra), cria tensão e coloca duas imagens em relação. Abre um espaço de SILÊNCIO onde o leitor entra.

O Kireji é subtil, não grita, sussurra e afasta-se.

Imagem mental:

Dois quadros pendurados lado a lado com um pequeno espaço entre eles;

ESSE ESPAÇO É O KIREJI

EXEMPLOS DE KIREJI MAU E KIREJI BOM

KIREJI MAU

Folhas caem no chão

lembrando-me que a vida

passa depressa

PROBLEMA

Não há corte, há comentário

O 3º verso interpreta o que se vê

O poema diz ao leitor o que pensar

Não há espaço de SILÊNCIO


2º exemplo

Pátio da escola

sinto uma grande tristeza

ao ouvir o sino

PROBLEMA

Emoção nomeada

Poema torna-se confissão






KIREJI BOM

Folhas caem no chão
o banco do jardim
ainda molhado

AQUI

Corte do 1º para o 2º versos
A segunda imagem não explica a primeira
O Leitor liga as duas





2º exemplo

Pátio da escola

o sino toca

ninguém corre


AQUI

Nada é explicado

SILÊNCIO interno





TENTATIVA PRÁTICA

Cenário dado

"CORREDOR DA ESCOLA AO FIM DA TARDE"

Cria um Haiku sendo:

1º verso (5) - Um verso de observação

2º verso (7) - Uma quebra (ou corte)

3º verso (5) - Um verso que não explique

(O esquema tradicional 5-7-5 sílabas pode ser interpretado com alguma liberdade)

JAPÃO (Haiku Tradicional)

KIGO

KIREJI


ESQUEMA 5-7-5

Minimalismo

Observação do presente

Ausência de rima


OCIDENTE (Haiku Adaptado)

KIGO - Ausência ou diminuição da sua utilização

KIREJI - Mantem (não como palavra mas quebra de verso, mudança de plano, gesto ou omissão

ESQUEMA 5-7-5  - Rompe este esquema

Minimalismo - Mantem

Observação do presente - Mantem

Ausência de rima - O CASO BRASILEIRO





VER OS HAIKUS DO LIVRO "MANDALAS E HAIKUS"


O CASO BRASILEIRO

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